Minha querida, querida Hanna,
Até conhecer o teu papá, a mamã não foi lá muito feliz. Mais tarde, conto-te aos poucos como o meu coração foi sendo despedaçado aos pouquinhos. E como eu ainda assim acreditei e tentei ser uma boa pessoa.
Ser-se bom nem sempre parece compensar, mas prometo, prometo que tudo se compõe, mais cedo ou mais tarde. Porque a vida prega-nos partidas que nem sempre compreendemos logo à partida. Há coisas que só percebemos mesmo, mesmo à chegada.
Também a mamã demorou a perceber porque é que tinha aqui chegado há 2 anos atrás, de coração despedaçado, sem uma mãe para perguntar como me sentia, sem alguém que me amasse de verdade. Que, como dizia o teu avô e a tua bisavó Zira, respirasse o ar que a mamã respira.
Até que um dia começou a falar com o teu papá, que trabalha a 2 metros da mamã. E no silêncio do papá, nos sorrisos e nas pequenas rugas que faz com a cara, encontrou esse amor que sempre procurou.
Porque se ainda hoje me perguntaram pela centésima vez se foste planeada, não Hanna, não foste para agora. Mas a mamã queria-te tanto!
Antes do papá me conhecer já achava que essa oportunidade tinha passado. E a mamã achava que estava "estragada". Afinal a única coisa que faltava para a receita funcionar, era AMOR de verdade.
Tu, meu amor, meu anjo, és feita de AMOR.
Daqueles que não aparecem nos contos de fadas porque a mãe tem de traduzir a linguagem do teu pai que é especial à maneira dele. Mas que é bom, boa pessoa, um anjo que por aí anda e que te ama muito porque, lá está, tu foste feita pelo nosso amor.
E isso, esta convicção que tenho que eu e ele temos amor para o resto da vida, é também, o que te deu força para existires e é o que espero, nunca te falte.
Eu sei o que é falta de amor e garanto que de mim e do papá terás amor para o resto da tua vida!
Love,
Mom
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